Ragtime, E. L. Doctorow
Passado o medo inicial, como o primeiro mês do ano está chegando ao fim, acredito que não corremos mais o perigo de uma catástrofe ou algo do tipo. Então, seguimos com nossa programação normal. O primeiro post do ano é de um livro que li ainda ano passado, mas que gostei muito.
Ao contrário do que se pensa, ragtime não é um gênero musical, mas um modo de tocar piano. Surgiu no final do século XIX, tendo como um de seus maiores expoentes Scott Joplin. Os rags seriam um dos muitos ingredientes que posteriormente formariam o jazz.
Mas o ragtime é mais do que isso. Com seu ritmo dinâmico, serve como trilha sonora para uma época, início do século XX com todas as mudanças sociais, culturais, tecnológicas e científicas em uma nação, os Estados Unidos. Ora, os rags foram desenvolvidos pelos músicos americanos negros. Nada mais simbólico. Então, não há metáfora melhor que Doctorow poderia ter utilizado para falar sobre a constituição da cultura estadunidense do que esta.
Enquanto eu lia o texto, meus olhos brilhavam. Porque aquilo deve ter dado muito trabalho de escrever. Às vezes, eu parava e relia em voz alta. Porque, minha gente, é um romance musicado. Com períodos curtos e diretos, às vezes um mais longo, mas sempre ritmados. Uma delícia de ler.
A história segue uma típica família norte-americana da época, em que os personagens são denominados como Papai, Mamãe, Irmão Mais Novo de Mamãe, dentre outros. Entretanto, apresenta outros núcleos como o de Tateh e sua família, além de personagens reais, como Freud e Houdini. Em algum momento, direta ou indiretamente, esses personagens irão se relacionar.
Em cada um desses núcleos, Doctorow explora alguma questão: dos imigrantes, dos negros, das mulheres, o patriotismo. O livro trabalha com a contradição de uma cultura dinâmica, do “progresso”, mas que ao mesmo tempo é segregacionista e injusta. Falando assim, parece tosco. Mas o livro não é. Leia.
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O fim do mundo é suposto pra 20 de dezembro, se não me engano.
(Não parece tosco!)
Como eu gostei desse livro… Obrigada, obrigada, obrigada!
É?
E agora?
Nha, falei que parecia tosco eu tentando explicar. Não sei expor as coisas de forma adequada.
De nada, querida. ^^