A Escrava Isaura, Bernardo Guimarães

05nov11

Leôncio mostrando quem manda...

A Escrava Isaura é um daqueles livros que podem ser lidos com os mais diversos fins. Se você é uma pessoa daquelas de um romantismo rasgado, vai adorar. Especialmente os diálogos entre Álvaro e Isaura, o casalzinho protagonista. Se tiver um senso de humor ácido, rirá muito, assim como eu. E, ainda, se quiser fazer um estudo das raízes do racismo “maquiado” no Brasil, é um excelente livro também.

Isaura é uma escrava que teve a “sorte” de nascer branca. Por conta disso, foi acolhida como filha pela senhora da casa, após a morte da mãe. Por isso, além das tarefas que toda escrava sabe desempenhar, ela tem excelente português, toca piano, dentre outras prendas. Seria liberta, mas sua senhora morreu antes de fazer isso. E o marido dela, o comendador Almeida, não tem a menor intenção de libertá-la. Ao deixar seus bens nas mãos do filho, Leôncio, este mostra menos interesse em alforriar Isaura.

Leôncio é o personagem menos raso da história e, por isso, o mais interessante. É descrito como um filhinho de papai daqueles tempos. Um sujeito folgado que nunca quis estudar, tudo o que fez foi aproveitar a dinheirama do pai, caindo na farra todas as noites com mulheres e bebidas (êta vida boa!). Ao retornar ao Brasil, casa-se com Malvina, por conveniência. Mas é por Isaura que nutre paixão e desejo. E põe desejo nisso. Sempre que a escrava encontra-se sozinha, lá vai ele assediá-la. Se escrito nos tempos de hoje, A Escrava Isaura seria pornográfico. O nome já contribuiria muito nesse sentido.

"Vamos!"

A questão é que Isaura, com a ajuda do pai, acaba fugindo da fazenda. E, convenientemente, conhece e se apaixona por um rapazinho abolicionista (bonito e podre de rico, como não poderia deixar de ser). Essa é a historinha. Se quiser saber o resto, leia.

De minha parte, achei o livro divertidíssimo. É uma obra curta. Dá para ler em um dia, no máximo, dois. Alguns trechos são engraçados, como esse que qualifica as ações de Leôncio:

Para entrarmos no mistério dos planos atrozes e ignóbeis, das satânicas maquinações de Leôncio… (grifo meu)

Ou ainda esse em que Isaura se penitencia por ser gostosa:

Meu Deus! Meu Deus!… já que tive a desgraça de nascer cativa, não era melhor que tivesse nascido bruta e disforme, como a mais vil das negras, do que ter recebido do céu estes dotes, que só servem para amargurar-me a existência?

Leitura divertida e descompromissada. O livro está em domínio público. :)



7 Responses to “A Escrava Isaura, Bernardo Guimarães”

  1. 1 Elizabeth Bennet

    rs Oi?


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