Jazz Band na Sala da Gente, Alexandre Staut
Jazz é “música de negros”. Essa é uma ideia tão difundida que já virou senso comum. Mas não iniciei o texto com a intenção de negá-la ou desconstruí-la. Contudo, não muito difundido é o papel dos judeus nesse cenário musical. Principalmente durante o furor das big bands. Benny Goodman, conhecido como King of Swing, era judeu. E, no meu entender, ele e Gene Krupa são dois dos melhores músicos brancos daquela época. Mas isso não tem nada a ver com a resenha. Desculpem, pessoas.
A questão é que Jazz Band na Sala da Gente traz um cenário muito peculiar: Segunda Guerra Mundial. Brasil. Uma família, pai judeu e mãe italiana, que tem negócios funerários, mas cujo pai tem uma jazz band. Jazz band, funerária. Funerária, jazz band. E este cenário nos é apresentado por um garoto de seis anos. Eduardinho, que leva o mesmo nome do pai, é um menino que adora música e não entende a repulsa da mãe pela Pinhal Jazz, banda do pai. Também não compreende porque pessoas de toda a cidade chegam à sua casa chorando e pedindo ajuda com tanta frequência.
O livro traz muitas situações engraçadas, mas em determinados momentos se torna repetitivo e tende a cair na monotonia. O tom racista e histérico da mãe pode soar engraçado algumas vezes, ofensivo em outras tantas. Nem o marido judeu escapa de ser diminuído. O que pode atenuar esse sentido negativo é a contextualização. O desfecho não deixa de ser trágico e irônico.
Por fim, o livro não é puramente ficcional. A Pinhal Jazz realmente existiu. Eduardo Staut também. O livro é escrito por Alexandre Staut, neto do músico, mas com toques ficcionais.
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